DIXON

08. ABR / SAB

DIXON

Para onde ir depois de chegar ao topo? Continuar caminho, elevar a fasquia. Superar-se a si próprio. Dixon já lá chegou. Para muitos, é o número um. Aquele que representa a perfeição, ou algo muito próximo dela. Para outros, é um iluminado entre uma lista de outros igualmente iluminados – mas um círculo restrito. Seja como for, Dixon não deixa ninguém indiferente. O jeito que tem na cabine. Calmo. Podíamos passar horas a observar-lhe a objectividade dos gestos, se não fosse irresistível dançar o que deles provém. O feitio é sereno até quando está a provocar a loucura temporária de milhares de pessoas, até que percebemos que sim, todo ele respira, todo ele é, poro a poro, Música! O sorriso terno, o olhar sobre a pista, atento, como que com atenção especial a cada um de nós, mas ao mesmo tempo quase tímido. Alemão.

Com a sua Innervisions (que divide com Âme), Steffen Berkhahn (que já foi atleta profissional, tramado por um joelho, felizmente para nós, que ganhámos um DJ...) salvou o House europeu de ser completamente engolido pelo Techno germânico e ajudou a esculpir o que de melhor hoje se faz no género aqui pelo velho continente. É o DJ de atitude, a servir de inspiração a tantos outros. Não tem medo de afirmar que às vezes é preciso insistir numa dada música, mesmo que esvazie a pista – as pistas também servem para serem esvaziadas e cheias novamente, mudando energia, fazendo quem dança correr de novo até perto duma coluna, até debaixo de um projector.

Dixon é Dixon, simplesmente. Alguém que há décadas faz o que ama. Alguém cujo perfeccionismo e dedicação se traduziram em algo muito especial para quem ouve. Para quem dança. Das melodias corridas e belas unidas com o bater forte das caixas de ritmos cruas. O hipnotismo, a capacidade de nos transportar para fora de nós. Para um sítio mais acima, mais além. Dixon não está no topo por mero acaso. E por umas horas, estaremos lá com ele.
- Inês Duarte