DJ HARVEY

29. ABR / SAB

DJ HARVEY

Podemos usar todo o tipo de superlativos para falar de DJ Harvey, ele merece, mas nada traduz de facto o seu carisma, a aura mítica de DJ provocador e conhecedor, alguém que criou culto por fazer aquilo em que acredita sem medo de seguir contra a corrente. A sua influência é enorme mas, na verdade, DJ Harvey podia ser ainda maior. Ele não domina apenas as linguagens da musica de dança mais ou menos eletrónica, o Disco e todas as suas variantes, em particular, como é profundo conhecedor e praticante de rock. Começou como baterista numa banda pós punk, tem os Map of Africa, banda de stoner rock bem suado e os Wildest Dreams, garage rock psicadélico, é motard (além de surfista) e cultiva a atitude de enfant terrible... tem argumentos e musica para satisfazer todos os públicos, até os que ainda não existem. A única explicação para continuar a ser relativamente discreto (ainda que o seu gosto tenha repercussões globais) é não estar interessado em mais exposição, ou nas regras usadas para lá chegar. Quando anunciou a digressão de clubes 2017, Harvey explicou à Resident Advisor: "Aprendi a minha arte em clubes e armazéns, em grande medida é onde o meu coração está e onde funciono melhor". DJ Harvey é como um um guia que nos leva em viagem mental, física e espiritual. As suas atuações são momentos de celebração coletiva onde podemos descobrir coisas sobre nós, os outros e a musica que nos une. Para isso, é preciso tempo, diálogo entre o DJ e quem dança, coisas difíceis de conseguir em grandes espaços, com multidões dispersas na geografia e na atenção. O regresso de Harvey aos clubes é o regresso à intimidade e a um modelo de djing quase ritual em que a musica é o elo.
Como em todos os mitos, com DJ Harvey é difícil saber onde termina a realidade e começa a ficção. Sabemos do seu exílio mais ou menos forçado nos Estados Unidos, durante uma década, e de como isso acabou por torná-lo no DJ mais desejado. A lenda cresceu com os relatos das suas festas, a edição de edits de obscuridades disco que se tornaram obrigatórias porque toda a gente queria sentir o seu toque de Midas (e toda a gente quis fazer edits disco depois dele). Foi isso que o trouxe ao momento atual, em que é canonizado pela Rolling Stone com um dos Djs mais influentes do mundo, mas tudo começou décadas antes. Harvey Basset é britânico, de Cambridge. Começou nos Ersatz (acarinhados por John Peel), descobriu o djing pela via do o hip hop (também fez graffiti), nos anos 80 fez parte do Tonka Hi Fi, um soundsystem que se tornou mítico pelo ecletismo da seleção musical e festas intermináveis na época acid house. No inicio dos anos 90, começou a tocar nos clubes de Londres e torna-se num dos DJs mais importantes do circuito, conhecido por passar todos os géneros e fazê-los funcionar. Essa continua a ser a sua magia. A liberdade e amplitude de escolhas, a visão global, a capacidade de entender o fluxo de energia que vem de quem dança e o efeito surpresa.
Por tudo isso, e porque é um velho amigo, o Lux está feliz por ser um dos clubes eleitos por DJ Harvey para um ciclo especial de atuações longas (nunca menos de 6 horas), intensas e desafiantes.
- Isilda Sanches

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