STEFFI

30. ABR / DOM

STEFFI

Atendendo ao chamamento primal do ritmo teutónico, o seu coração tocado pela melodia detroitiana, atreveu-se a sair flutuando, do canto escuro onde se resguardava, para se aventurar na massa humana pulsante que enchia a pista. Atordoado como se submetido a um soco no estômago, profundamente, completamente, apaixonou-se pelo efeito que ela produzia nele. De olhos fechados, mas presos ao clarão sugerido dos strobes, braços ao alto tentando tocar o céu, os pés movendo-se num loop como a música que escutava, deixou-se perder. Daquela maneira que só nos conseguimos perder no escuro, no meio de estranhos, naquele clube, com ela.

Pois. Quando falamos da Steffi, das memórias que ela nos traz, da música que nos expõe com tanta franqueza e sinceridade, é preciso admitir que a objectividade fica fora da escrita e aquilo de que apetece falar é: o que nos diz o coração quando a escutamos? E são este tipo de sensações e pensamentos que nos atravessam, graças ao tão raro equilíbrio de dureza e graça a que nos habituámos nos seus sets e nas suas produções. No que às últimas diz respeito, descobrimo-la mais recentemente com Martyn no duo Doms & Deykers (ela é a “Doms”) no álbum ‘Evidence From a Good Source’ e no EP ‘Dedicated To Those Who Feel’ (como não adorar este título?), montras de encher o olho e o ouvido de sensibilidades detroitianas e ritmos pumping, ora a direito, ora quebrados, representando alguns dos trabalhos mais lúdicos da sua carreira.

Quanto aos DJ sets, podemos arriscar dizer que nos devemos preparar para sermos arrebatados muito mais vezes e em menos tempo. Parece que Portugal produziu na Srª Steffi Doms um efeito similar ao que os seus sets tiveram em nós, e ela será em breve residente… do país e do Lux. A residência começa agora com o Dexter, e será repetida mais duas vezes este ano, com convidados da sua escolha. Certamente que o próximo regresso dele a casa, com o sol sobre o rio e um sorriso na cara, será feito já sonhando com o repetir de tudo o que sentiu, como se fosse a primeira vez.
- Nuno Mendonça

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