DJ BONE

31. MAR / SEX

DJ BONE

Por cada história de sucesso meteórico a que assistimos na música de dança, é certo que há 10 nomes tão ou mais talentosos que os bem-sucedidos, que ficaram pelo caminho. Ou porque são avessos a auto-promoção, ou porque não foram coerentes nas suas opções, ou porque não aguentaram a pressão. E depois há um ou outro que escolhe a estrada mais longa e árdua, mantendo-se fiel a si próprio de maneira quase obstinada, até que um dia, o seu momento chega e ele pode dizer: “o que consegui, consegui à minha maneira”. Definindo-se a si mesmo como o “órfão da cena techno de Detroit”, DJ Bone passou 20 anos a fazer o que sempre fez, indiferente a modas e tendências, confiante ao extremo nas suas capacidades absolutamente únicas enquanto DJ, e sabendo que até um relógio avariado dá a hora certa duas vezes ao dia. Já no princípio da década passada, Eric Dulan tinha definido o que era misturar Detroit techno com 3 ou mais pratos ao mesmo tempo (todos os faders em cima!) com o CD “Subject: Detroit Vol. 2” (da própria label, Subject). Reacção mais comum: queixos colados ao chão; comparações com o famoso Live At The Liquid Room de Jeff Mills. Com uma técnica e criatividade na mistura de um nível demencial, Bone mostrou-se capaz de agarrar em faixas espartanas e sobrepô-las numa sequência de monstros techno armados de um groove e sentido de diversão que conquistou até fãs de house que normalmente fugiam do techno. Entretanto, mais de uma década passou, e Bone, sempre a competir num campeonato de um só, converteu essa energia em produções, enquanto começava a recusar todos os convites para actuar como DJ. Ele sabia ter algo para oferecer que mais ninguém tinha, e esperou a sua hora, que chegou, sem que Bone tivesse de mudar uma vírgula naquilo que faz. Com faixas como “Shut The Lights Off” a serem reabilitadas por Nina Kraviz ou Answer Code Request e um novo aliás “escuro e zangado”, Differ-Ent, a marcar pontos entre a crítica, DJ Bone viu-se aclamado como o boxer veterano que regressa aos ringues para mostrar à juventude como se faz. No fim de contas, há uma multitude de coisas que podemos aprender com ele. Pela música que passa e pelos skills com que a passa, claro. Mas mais ainda, o valor da consistência, confiança, e respeito pelo trabalho que faz. Coisas básicas que constituem um modo de vida que afirma : é bom ser diferente. E pelo nosso direito à diferença, que dançaremos com DJ Bone. - Nuno Mendonça

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